terça-feira, 18 de novembro de 2008
Me lembro do meu mundo de criança, lendo fábulas e rodando em carrocéis. Imaginando o mundo longe e rindo de animais e procurando os melhores balanços.
Falando com o vento e segurando os olhos abertos. Com idéias frágeis e sem muito conhecimento.
Curiosa sempre, pouco fechada, pouco fria.
Pensa pensa e as linhas vão sendo preenchidas. Novos sonhos e muitos nomes na avenida.
E mesmo assim, na minha utopia; castelos, filmes e fábulas ainda me surpreendem e iludem.
Por A.S.
Com seu baú de memórias e sonhos
No pensamento a cara de varias
Ate o cheiro e o tom
Minhas meninas, minhas palavras..
Formem musicas com a melodia da noite
Uma pra mim e uma pra ele
Dêem-me um motivo para viver
Abstendo-me da distancia
“Tua verdade fazendo escola e tua ausência fazendo silencio em todo lugar”
Já diria a musica.
Só tenho comigo a lembrança
Um rosto, um toque, um gosto, uma esperança.
Venha que meu coração te espera, te guarda e admira
Num mundo só nosso
Onde espinhos de rosas não mudam nada do que sinto
Ao lembrar do gosto doce daquele beijo.
Por A.S.
Há tanto para te falar, não só do meu refugio, não só do meu orgulho.
Há tanto para te falar, sobre aquela conversa inacabada, aquela criança perdida ou aquela conta não paga.
Ah se eu fosse começar a falar de brigas, de mim, de ti ou do todo.
O medo que segura o meu eu, não dorme, não acaba o medo meu.
O sonho que eu tive está guardado num baú de memórias frias.
Vi que as palavras já não tem a força que um dia elas tinham.
Saudade não há nem porque falar, já que nem faz sentido. A dor não tem mais explicação e o sorriso nem é mais verdadeiro.
O mundo se escondeu em ruas curtas, becos que são para poucos e tudo ali fora não convém se não for dos jeitos teus.
Minha indignação me sufoca e não falo; mas também não calo.
Vivendo em cirandas de prazer, onde nada parece fazer sentido.
Nem Cazuza, nem Lenine ou Belchior..
Nem Legião, pais e filhos ou caboclos em faroestes.
Teatros mágicos não encantam, já que a magia se perdeu.
Um dia me passou pela cabeça – falo, mudo e penso antes que eu esqueça – que tudo poderia ser um pouco (muito) diferente.
Que Raul ainda espera o trem..
Lucy, Yoko e Janis não vivem mais numa fase de novidades..
Vive, muda, falem.. Ninguém agüenta!
Ninguém suporta o hoje e ninguém faz nada para o amanhã.
Acreditando na força do silêncio, todos se calam.
Esperando verdades de criança, todos envelhecem e já que pequenos príncipes não existem..
.. a lua e todo o universo continua distante.
Por A.S.
É tanta coisa que não se pode transmitir. A energia fala por si.
Olho-me num espelho psicológico, como se eu visse a situação de outros ângulos.
É complexo, acredite.
Meu coração ferido com esperança, meu corpo produzindo endorfina como se estivesse apaixonada.
Não, ainda não.
Somente pensamentos constantes
Escrever requer concentração e controle. Frases que demorariam dez minutos para serem ditas e dez segundos para serem faladas. Sem análise.
Não gosto de escrever sobre possibilidades inexatas, mas no fundo penso em ti.
Que está a fazer? Pensa em mim?
(..)
E as coisas continuam sem fim.
Por A.S.
Admira a ser presente num ato inanimado.
Quero ver-te e tocar-te
Na tua alma com pureza presente
Nem só paixão, nem só sintonia.
Crenças e fantasias.
A rima feita por rimar, ao procurar motivos para um sonho.
Descreva-me o coração num brilho de olhar.
Não, nem alfabeto, nem razão, nem leitura de palma.
Rima aqui, rima acolá...
Num clichê de versos,
Sinto tua alma longe lá
E espero de braços certos.
Falta um mundo nesse formigueiro.
Seja ele uma utopia ou por inteiro.
Por A.S.
A felicidade e a esperança que sinto não se compara e nem se explica. Contagia, confunde e acalma.
Aprendi que o mundo é nosso. O pensamento é nosso.
Ser de verdade, só cada um pode ser.
A melodia dos sonhos, a doçura do silêncio, pensamento longe. Amizade limpa.
Felicidade não depende de razão ou circunstancia externa. Vem de dentro e trás entusiasmo.
Tentações. Vivem lado a lado com o dia a dia.
O som da noite, dos orvalhos pela manhã – dançando na batida do sol.
A lágrima de duas caras; quente, fria.
Os conflitos da mente.
A beleza de tudo.
A qualidade humana. Singela, mas presente.
O ócio da perjura.
O asco da loucura.
O ápice do prazer, do ter, do ser, do existir.
Nisso se baseia a vida de amores e amigos, etc. e rimas.
Mundo gira, tempo passa.
Passa-tempo passa hora, passa rosto e saliva.
Ponto. Sorri e termina.
Por A.S.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Um tanto complexo.
Pensei rápido e penetrante e tentei encontrar no silêncio das palavras uma definição.
Talvez uma qualquer, talvez sim, ou não..
Um camaleão com princípios?
A calma e a loucura
O amor profundo e sua indiferença
A paixão e a possessão
A doçura e a confusão
O desejo, a utopia.
A saudade, o aperto.
O corpo leve e suado.
A amizade, a decepção, a esperança.
O momento, o ontem e o amanhã.
Minhas palavras, minhas meninas, meus pensamentos.
Minhas dores, meus amores, minhas despedidas.
Meus sorrisos, meus abraços, minhas piadas, minhas rimas.
Minhas bravezas, minhas doçuras, meus prazeres.
Minha vida, meus amores, minha família.
Minha sintonia.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Camarada d'onde vem essa febre
Nossa alegria breve, por enquanto nos deixou...
Camarada viva a vida mais leve
Não deixe que ela escorregue
Que te cause mais dor
Caixa d'água guarda a água do dia
Não cabe tua alegria
Não basta pro teu calor
Viva a tua maneira
Não perca a estribeira
Saiba do teu valor
E amanheça brilhando mais forte
Que a estrela do norte
Que a noite entregou!
Camarada d'água
Fique peixe de manhã, de madrugada
Fique todo hora que for
"Você é riacho e acho que teu rio corre pra longe do meu mar...
mar marvado seria o rio
que correndo do meu riacho... levaria o que acho
pra onde ninguém pode achar..."
Como pode um peixe vivo viver fora da água fria?
Como pode um peixe vivo viver fora da água fria?
Como poderei viver, como poderei viver sem a tua,
sem a tua, sem a tua companhia?
Sem a tua, sem a tua, sem a tua companhia?
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Na minha suposta verdade não existiu nenhum castelo,
e dentro dele eu guardava minhas fantasias.
Meus papéis eram jogados de escada abaixo
e voavam pelas centenas de janelas
e se debandaram na transparência das letras.
A tinta era fraca; fechei janelas,
portas e fendas para que o jarro enfeitado de flores não se quebrasse.
Murcharam...
Acendi todas as velas, lâmpadas e fiz o fogo nas brasas para que o Sol não se fosse:
a noite caiu lavando meus risos de Estrelas.
Nada poderia deter o Tempo, e a fantasia, nem mesmo agora, poderia ser meu albergue.
domingo, 24 de agosto de 2008
http://umamoratrevido.blogspot.com/
sexta-feira, 4 de julho de 2008
"Falta tanta coisa na minha janela, como uma praia. Falta tanta coisa na memória, como o rosto dela. Falta tanto tempo no relógio, quanto uma semana. Sobra tanta falta de paciência que me desespero. Sobram tantas meias-verdades, que guardo pra mim mesmo. Sobram tantos medos que nem me protejo mais. Sobra tanto espaço.. dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer que nunca consigo!"
Numa doce manhã, nem tão fria e nem tão quente.. digamos assim, um tanto agradável. Daquelas em que seu pensamento voa longe e acaba por não chegar a lugar nenhum. Se expõem dúvidas e medos, alinhados com a coragem e a falta de vontade de fazer qualquer coisa. A mudança bate em sua porta e implora por uma forma de concretização. Na noite em que sonhos se perderam junto a viradas pru'm lado, pr'outro e assim vai..
Saudade. Essa nunca se vai, essa nunca se acaba e nunca se cura por completo. Só aumenta, a cada segundo, só aumenta. Para ela, o unico antídoto vem a ser aquelas imagens, que não se mechem.
"Metade de mim, agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só.."
E o que me acalma nesses momentos nem tão frígidos, pouco espontâneos e criativos é isso e somente estas.. estas palavras juntadas de forma prática, perfeita e inconstante.
"todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser, todo verbo é livre para ser direto e indireto. Nenhum predicado será prejudicado, nem tampouco a vírgula, nem a crase nem a frase e ponto final! Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas e estar entre vírgulas pode ser aposto.. e eu aposto o oposto que vou cativar a todos, sendo apenas um sujeito simples"
..um sujeito simples, sem mais e não menos importante.
Por A.S
quinta-feira, 26 de junho de 2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008
(..)
terça-feira, 24 de junho de 2008
Porque na verdade os homens é que são românticos. Os homens é que dizem coisas como:
"Conheci uma pessoa. Ela é fantástica. Se eu não fico com ela, estou fodido. Não aguento mais. A sério. Ela transformou completamente a minha vida. Tenho um emprego, uma casa; e tudo isso já não vale nada. Não aguento mais. Tenho que estar com ela. Porque senão acabo entrevado, alcoólico e com umas calças piolhosas. E nunca mais saio à rua".
Ora isto é o que as mulheres dizem sobre sapatos!!"
terça-feira, 17 de junho de 2008
duas almas aparentemente tão diferentes
se satisfazerem assim.
ou um lindo encontro,
armado pelo destino
só para as duas se divertirem enfim..
mas como é possível?
" - as almas são incomunicáveis. " dizia Bandeira.
e acrescentou:
"- Deixe o teu corpo entender-se com outro corpo, porque os corpos se entendem, mas as almas não."
um tiro à queima-roupa, um balde de água fria..
mas foi melhor assim.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
sexta-feira, 13 de junho de 2008
é mentira, sei mas não te digo!
Sinto-me uma transeunte. Passo pela vida andando, meio lenta, meio rápida. Olho o relógio, as horas continuam lá e não faz a menor diferença o posicionamento dos ponteiros. O tempo é falho. Dependendo a situação, é claro.
Sinto-me como a claridade do sol nas manhãs de verão. O frio e a nostalgia das noites de inverno. A cor e o sabor do vinho tinto. A maciez da areia da praia e, a profundidade do mar. A alegria da esperança e, a tristeza da desilusão. A complexidade e a infinitude de ser humana.
Legitimidade e intensidade andam sempre muito juntas no meu humilde julgamento. Quero que o Mundo seja um pouco mais sublime do que se espera. Um pouco mais doce. Quero laços que não desatam e lembranças que não se apagam. Quero viver numa colônia de barreiras invisíveis, em pleno território público, onde o centro da cidade é o Mundo. Encontrar pessoas diferentes, mas de intenções mútuas, amigos de escudo e espada. Ser fiel aos tratos até quando não tem ninguém olhando, em todos os sentidos. Se eu tivesse uma ilha, levava pra lá só espírito, mesmo que nossos corpos tivessem que ir junto. Talvez eu não tenha uma ilha, mas muito em breve financiarei um apartamento.
Meus quadros não tem guarda chuva e eu não sou feita de açúcar. Sou atraída por segredos, enigmas e frases de impacto. A simplicidade também me seduz, assim como a calma e os furacões.. de vez em quando. Sim, no mais, sou inconstante, um ou outro insiste em dizer que eu sou xarope – tenho que admitir. Complicada algumas vezes também, mas é superável. A curiosidade talvez um dia me traga coisas que desejo e escrever talvez seja meu calmante pessoal. Não que eu precise, mas gosto; me distrai. Não que ache bom – nem sempre, mas é o que sinto. E ao contrário de muitos ócios por ai, isso pode ser um prelúdio para minhas quimeras.. quem sabe, a certeza de que o amanhã é incerto, é mesmo o que me acalenta em dias frios..
Quem acredita no amor, o reinventa todos os dias, de várias maneiras, com muita poesia. Falando em poesia, esta particularmente, me agrada horrores.
Por A. S.
Ou escrevo, sempre e me leio e re-leio, e re-leio..
Por A. S.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Se nem eu finjo que não, porque você então?
Depois de você as coisas parecem tão fora de lugar. Ando perdida procurando o que fazer, como fazer, e te encontrar. Mas não, não sei porque procuro se sei que não está lá. "Era tão estranho te olhar dentro dos olhos, e ver na minha frente tudo que um dia eu quis."
Ah você, tão simples e indiscreto. Tão meigo e divertido. Me trás raiva, me trás angústia.. me trás saudade.
Nunca tanto por um só alguém, tanto tempo e não vai embora. Não vai embora de dentro de mim, do meu ser, do meu pensar.. Já que não te posso, só queria te ver, olhar de longe, um toque..
Teu toque. Tão macio e doce. Tão carinhoso e excitante.
Você!
Não sei, não consigo. Admito minha saudade, sem gritar aos quatro ventos, debruçando em minhas palavras e rasgando meus sentimentos.
Por A. S.
(Quando os posts forem meus, vou começar a assiná-los. Nunca tive esse costume mas..)
Ontem pensei seriamente sobra a data de hoje, que pra mim, no estado em que me encontro não se torna tão especial, na verdade não muda nada; porém pensei e me veio uma questão:
- Porque não é tão fácil, despir-me de ti, como é fácil despir-me deste vestido?
Por A. S.
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Destino ou escolha
Estranho. Aquele momento não teria melhor descrição. Os dois sentados no escuro, debaixo da janela que jogava o restinho de luz dos postes da cidade. O clima era o de uma confusão psicológica que os dois experimentavam juntos.- Posso te confessar uma coisa?
Ele perguntou com aquele olhar. Um que não conseguia repousar nos olhos dela, nem por um segundo. Olhava sempre pro chão, e deste arrastava à parede, repetindo o caminho num vai e vem conturbado e ansioso.
- Eu nunca imaginei que isso fosse possível.
- O que? - Ela perguntou.
- A gente, esse conjugado, essa janela. Nossos Mundos tão diferentes. Quando meu primeiro dente caiu, você já comprava absorventes.. Ela mesma não disse nada. Os olhos dela tinham uma característica que sempre o intrigou: eram sempre úmidos. Além de que, o olhar dela era sempre de baixo pra cima e sempre dizia: “há algo mais pra ser dito?”. Ela não era um exemplo de pessoa dessas que acham que a vida pode ser grande, mas os olhos sempre esperavam por algo mais. Se a frase dita tivesse três palavras, os olhos dela se preservavam até o tempo de serem ditas seis.
- Nossa Vênus precisa de mistério. Se não tiver mistério a gente enjoa... Você já está enjoada? Eu to sentindo que está. Fale a verdade, eu agüento. – ele mentia.
Na cabeça dela, essas últimas palavras não foram recebidas em português. Vieram num estranho dialeto que as resumiu a uma simples mensagem: “sou um garoto ansioso, tenho pressa, estou nervoso, vamos viver essa vida logo, vamos?”. E, pra ser sincero, ela não tinha mais energia pra isso. Quando ele foi embora, ela ligou a TV, fumou seus cigarros e sentiu-se, mais ou menos, como se aquele momento fosse o melhor que a vida poderia oferecer. Já o rapaz, ao pisar na rua, foi abduzido pelo destino e eles nunca mais se viram.
Dizem que hoje eles são tão diferentes, que moram no mesmo prédio, são vizinhos de porta, mas quando se cruzam não reconhecem um o outro. Dão bom dia por educação e seguem suas vidas. Ele um escritor estranho, ela uma professora cansada
Perco horas se preciso, lendo e re-lendo cada frase, cada vírgula e principalmente cada ponto final contido nesse blog. Me apaixonei fácil pelas palavras e me derreto ao ver o quanto cada dito, dita fases da minha vida.

E eu quero que tu o queiras..
Depois de atravessar o paraíso, esse inferno
Depois de atravessar o sonho, esse pesadelo
Depois de atravessar o pesadelo, esse sonho
Depois de atravessar a ação,essa inação
Depois de atravessar a inação,essa ação
Depois de atravessar o novo,esse velho
Depois de atravessar o velho,esse novo
Depois de atravessar o outro,esse mesmo
Depois de me atravessar o mesmo,esse outro
Depois de atravessar a cidade,esse bairro
Depois de atravessar o bairro,essa cidade
Depois de atravessar a fome,essa saciedade
Depois de atravessar a saciedade,essa fome
Depois de atravessar o poema,essa prosa
Depois de atravessar a prosa,esse poema
Depois de atravessar o luxo,essa favela
Depois de atravessar a favela,esse luxo
Depois de atravessar o sim,esse não
Depois de atravessar o não,esse sim
Depois de atravessar o sexo,esse pau mole
Depois de atravessar o pau mole,esse sexo
Depois de atravessar o finito,esse infinito
Depois de atravessar o infinito,esse finito
Depois de atravessar o verso,esse reverso
Depois de atravessar o reverso,esse verso
Depois de atravessar a imanência,essa transcendência
Depois de atravessar a transcendência, essa imanência
Depois de atravessar o antes, esse depois
Depois de atravessar o depois, esse antes
Depois de atravessar o durante, esse passado e esse futuro diante
Depois de atravessar esse passado e esse futuro diante, esse durante
Depois de atravessar o nada, esse tudo
Depois de atravessar o tudo, esse nada
Depois de atravessar a morte, essa vida
Depois de atravessar a vida, essa morte
Depois de atravessar a dor, esse alívio
Depois de atravessar o alívio, essa dor
Depois de atravessar o pecado, essa casticidade
Depois de atravessar o perdão, esse ressentimento
Depois de atravessar o ressentimento, esse perdão
Depois de atravessar a prisão, essa liberdade
Depois de atravessar a liberdade, essa prisão
Depois de atravessar o saber, essa ignorância
Depois de atravessar a ignorância, esse saber
Depois de atravessar o país, esse mundo
Depois de atravessar o mundo, esse país
Depois de atravessar o esquecimento, essa lembrança
Depois de atravessar a lembrança, esse esquecimento
Depois de atravessar a coragem, esse medo
Depois de atravessar o medo, essa coragem
Depois de atravessar a presença, essa ausência
Depois de atravessar a ausência, essa presença
Depois de atravessar o mal, esse bem
Depois de atravessar o bem, esse mal
Depois de atravessar a casa, essa rua
Depois de atravessar a rua, essa casa
Depois de atravessar o amor, esse ódio
Depois de atravessar o ódio, esse amor
Depois de atravessar a noite, esse dia
Depois de atravessar o dia, essa noite
Depois da atravessar a posse, essa despossessão
Depois de atravessar a despossessão, essa posse
Depois de atravessar a amizade, essa inimizade
Depois de atravessar a inimizade, essa amizade
Depois, durante e antes de, não atravessar,senão através de um lado e de outro,o pêndulo desse trêmulo passamento,a travessia atravesso, através do avesso,o aroma desse café no cá de minha féseu sabor exalano ventre do vento, esse pensamento,buraco-negro no líquido perdido no transe da trança da tramada bailarina, esvaindo da xícara, o cheiro cheio de sua acrobacia defumaça,sua alma dança a alegria de meu tormento,fora do pêndulo,na inspiração, a cafeínado tempo,sorve minhas narinas,nesse momentode contentamentoacrobático:pacto de ilusõesdas sensaçõesde nossasestaçõesque podem voltar à prisão dos pólos dos pêndulosa este estado de sítio e de litígiode roubar a cafeína, como cafetão e cafetina,da acrobacia de todas e todosda vida:estado de graçade graçao prestígiodo direito a um mundoesquerdode religião nos religando
no ópio do pio do vício
do cio:
de nossos
rios de rir
no partir
e no
parir.
terça-feira, 10 de junho de 2008
quarta-feira, 4 de junho de 2008
fui eu que quis, eu que fiz, pra você
Um cigarro atrás do outro, uma caneta e alguns papéis rabiscados.
Procurando num breu uma companhia
Que consiga, mesmo com uma piada sem graça.
Tirar toda e qualquer melancolia.
Quero a simplicidade dos amores sinceros; construir no dia-a-dia os elosem confidências trocadas, das experiências vivenciadas, em verdades roubadas.
Porque você não está aqui
Por que garrafas de rum não me satisfazem mais
A garrafa quase vazia e o pensamento em outro lugar.
Que minhas decepçõesnão me suscitem tristezas vãs. Porque existe algo maiorpelo qual prosseguir, além do instinto de sobrevivência, a esperança de, como ser humano, evoluir.
Revelar-me a cada momento, descobrindo-te em esboços imaginários. Mãos que deslizam ávidaspelas tuas costas, o calor da respiração, o toque da língua.. Quantas coisas a serem ditas..Teu olhar indecifrável, tua silhueta longaque se perde em qualquer esquina do tempoe, a incerteza de que me queres.
Gosto deste teu jeito displicentede expressares o que sentes.Falas da alegria ou da dor com palavras simples,mas tu as tornas diferentes.Agora, deixa-me ir,levando-te comigo na memória,para depois te reencontrar nos sonhose te fazer dormir.
terça-feira, 3 de junho de 2008
O falar, por outro lado, não me falta jamais. (Todos já sabem...) Cada vez que convoco a palavra oral, ela se apresenta. Forte, torrencial. O que é pequeno e delicado quando escrito se mostra poderoso e incontrolável ao ser voz. Ao se apresentar em carne. Em corpo. Escrita é delicada. Falada é arrebatada. Ambas as formas indomáveis. São mais que eu. Apesar da minha autoria, não respondem aos meus quereres.
E o que eu faço com o que trago aqui? Me ensinaram apenas o caminho do verbo para apresentar meu espírito a um outro. Não posso ser palavra no alisar de uma cabeça de menino, ou no admirar de um fim de tarde, como queria Clarice. Não aprendi a dizer assim. Pelo menos não de forma audível. Inteligível. As tantas nuances que carrego não podem ser traduzidas num olhar. Ou num mexer de braços. Em um meneio de corpo. Em um abraço. Ou podem? Reflito, mas ainda acho que não...
Mesmo a palavra, que me é tão cara, teima em desobedecer. Mais uma vez. E tenho andado cansada de uma alma tão auto-suficiente... Ela faz o que quer. Sem me consultar. Sente, deseja, reage, desiste, reflete. Independe de mim. Apenas é. Acho até engraçado como, habitando em mim, ela possa ser assim. Uma solista.
Numa página quase branca, via-se o outro lado do vidro,
e um abajur
que deixa meu quarto azul
um pouco mais frio.
Em dias de chuva resolvo minha solidão com chá de camomila e um lápis de olho.
Lembro do silêncio que fiz, quando você falou da liberdade sem compromissos além do amor
de amar.
E do sorriso de canto de boca.
E da tua,
e da minha boca.
Descubro que nós, nós dois,
juntos,
já temos um passado.
E que o presente é circunstância do agora.
Penso que evolução não é progressão,
se relaciona melhor com transformação.
E que dois corpos juntos,
em suspensão,
só podem estar voando ou estão com tesão.
Você me diz sorrindo: Sonhe comigo.
E eu te respondo, como quem cuida dos olhos, que o seu vermelho e o meu azul é violeta.
Entre a lagarta e a borboleta.
Como quem voa pela primeira vez...
Como quem tem apenas um dia de vida...
Como quem descobre o silêncio....
Passamos a rolar.
Nós, nós dois, juntos.
O presente é circunstância do agora.
E eu só queria falar de anjos.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Imagina quantos diamantes ele atirou ao mar sem parar para pensar?

Você está olhando pela janela, não há nada de especial no céu, somente algumas nuvens aqui e ali. Aí chega alguém que também não tem nada para fazer e pergunta:
- Será que vai chover hoje?
Se você responder "com certeza"... a sua área é Vendas: O pessoal de Vendas é o único que sempre tem certeza de tudo.
Se a resposta for "sei lá, estou pensando em outra coisa"... então a sua área é Marketing: O pessoal de Marketing está sempre pensando no que os outros não estão pensando.
Se você responder "sim, há uma boa probabilidade"... você é da área de Engenharia: O pessoal da Engenharia está sempre disposto a transformar o universo em números.
Se a resposta for "depende"... você nasceu para Recursos Humanos: Uma área em que qualquer facto sempre estará na dependência de outros factos.
Se você responder "ah, a meteorologia diz que não"... você é da área de Contabilidade: O pessoal da Contabilidade sempre confia mais nos dados no que nos próprios olhos.
Se a resposta for "sei lá, mas por via das dúvidas eu trouxe um guarda-chuvas": Então seu lugar é na área Financeira que deve estar sempre bem preparada para qualquer virada de tempo.
Agora, se você responder "não sei"... há uma boa chance que você tenha uma carreira de sucesso e acabe chegando a diretoria da empresa.
De cada 100 pessoas, só uma tem a coragem de responder "não sei" quando não sabe. Os outros 99 sempre acham que precisam ter uma resposta pronta, seja ela qual for, para qualquer situação."Não sei" é sempre uma resposta que economiza o tempo de todo mundo, e pré-dispõe os envolvidos a conseguir dados mais concretos antes de tomar uma decisão.Parece simples, mas responder "não sei" é uma das coisas mais difíceis de se aprender na vida corporativa.Por quê? Eu sinceramente "não sei".

Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim
A vida que não se troca por palavras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
As vozes que só em mim são verdadeiras.
Deram-mo para eu guardar dentro de mim
A impossível palavra verdade.
Deram-me o silêncio como uma palavra impossível,
Nua e clara como o fulgor duma lâmina invencível,
Para eu guardar dentro de mim,
Para eu ignorar dentro de mim
A única palavra sem disfarce
- A palavra que nunca se profere.
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério
A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.
sábado, 24 de maio de 2008
Encoste-se tranquilamente na cadeira.
Deve sentir-se bem instalado e descontraído.
Pode fumar.
É importante que me escute com muita atenção.
Ouve-me bem?
Tenho algo a dizer-lhe que vai interessá-lo.))
Isso é uma loucura, já diriam os anjos..
Isso não é bobagem.. já diria você.
Sente-se.
Está sentado?
Está realmente a escutar-me?
Não há pois dúvida alguma de que me ouve com clareza e distinção?
Arrume isso, esqueça essas rimas e só me responda..
Ainda me ouve bem?!
Qualquer passado, qualquer amor, qualquer risada e qualquer transaIsso não passa de bobagem..
Isso é uma loucura, já diriam os anjos..mas isso, você mente
Isso não é bobagem.. lalalala
Isso não é loucura.. lalalala
isso é carência lalala..
Isso é..
(diga-me você)



